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Quem pagou? Pesquisa que dá 45% a Moro no Paraná custa 70% menos que levantamentos anteriores

Levantamento do Paraná Pesquisas coloca candidato 21 pontos à frente de Requião Filho; empresa contratante é ligada ao Diário do Poder, que já publicou elogios ao ex-juiz

A nova pesquisa do Instituto Paraná Pesquisas coloca Sergio Moro na liderança da corrida pelo Governo do Paraná, com 45% das intenções de voto. Requião Filho aparece em segundo, com 24%, seguido por Sandro Alex, com 17,5%.

Os números, divulgados nesta quinta-feira (3), mostram uma vantagem de 21 pontos percentuais de Moro sobre o segundo colocado. Mas, além dos percentuais, dois outros dados do levantamento chamam a atenção: o valor pago pela pesquisa e a identidade da empresa que aparece como contratante.

Registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número PR-03399/2026, a pesquisa foi realizada entre 31 de agosto e 2 de setembro, com 1.280 eleitores de 56 municípios paranaenses. A margem de erro é de 2,8 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

O contratante

Segundo informações disponíveis no registro eleitoral, o levantamento foi contratado pela Sedek Serviços, Tecnologia & Informação Ltda., pelo valor declarado de R$ 40 mil. Reportagens sobre o registro apontam a empresa como ligada ao Diário do Poder, de Brasília.

A ligação ganha relevância quando se observa o histórico editorial do veículo em relação a Sergio Moro.

Em 2019, em uma coluna publicada no Diário do Poder, o jornalista Cláudio Humberto escreveu que as decisões de Moro na Lava Jato haviam transformado o então ministro em uma “celebridade do bem, herói nacional”. Em outra publicação daquele mesmo período, o veículo se referiu a Moro como “herói da Lava Jato”.

Em 2024, Moro também participou de uma entrevista no podcast do Diário do Poder conduzida pelo próprio Cláudio Humberto.

É importante deixar claro: esse histórico editorial, por si só, não demonstra qualquer interferência na metodologia, na coleta ou no resultado da pesquisa. A questão é outra: diante de um levantamento que coloca Moro com ampla vantagem, é legítimo que o eleitor saiba quem contratou o estudo e conheça o histórico público do contratante e do veículo ao qual ele está ligado.

O preço também chama atenção

Outro ponto que merece ser observado é o valor declarado.

A pesquisa atual custou R$ 40 mil. O montante representa menos de um terço do valor de pesquisas anteriores do Paraná Pesquisas realizadas neste ano para medir a corrida pelo Governo do Paraná.

Os três levantamentos anteriores do mesmo instituto foram contratados pelo PL, partido de Sergio Moro, e custaram aproximadamente R$ 135 mil cada. A diferença é de cerca de R$ 95 mil por pesquisa — uma redução próxima de 70% em relação aos trabalhos anteriores.

O dado chama atenção porque a pesquisa atual ouviu 1.280 pessoas, número semelhante ao dos levantamentos anteriores, e manteve entrevistas pessoais e presenciais como base da coleta.

É evidente que preços de pesquisas podem variar por negociação comercial, período de campo, logística, estrutura contratada e outros fatores. Portanto, o valor menor não significa, por si só, qualquer irregularidade.

Mas uma diferença de aproximadamente R$ 95 mil entre levantamentos do mesmo instituto, sobre a mesma eleição e com amostras de tamanho semelhante é, no mínimo, um dado que merece ser explicado.

Moro mantém liderança, mas números pouco mudaram

Apesar da grande vantagem apontada pela pesquisa, a comparação com o levantamento anterior não mostra uma transformação radical do cenário.

Moro tinha 46,1% e agora aparece com 45%, uma oscilação negativa de 1,1 ponto percentual.

Requião Filho passou de 23,4% para 24%, enquanto Sandro Alex avançou de 16,5% para 17,5%.

As três variações estão dentro da margem de erro de 2,8 pontos percentuais. Portanto, estatisticamente, os números indicam mais uma manutenção do cenário do que uma mudança significativa na corrida.

Na pesquisa espontânea, quando os nomes dos candidatos não são apresentados, a fotografia é bem diferente: Moro aparece com 24,2%, Requião Filho com 10,2% e Sandro Alex com 6,3%. Mais da metade dos entrevistados, 51,2%, não soube ou não quis indicar um candidato.

Esse dado é particularmente relevante porque mostra que, apesar da vantagem de Moro quando os nomes são apresentados, a eleição ainda possui um eleitorado expressivo sem candidato definido.

Rejeição é o ponto de atenção para Moro

Outro indicador importante é a rejeição.

Requião Filho aparece com o maior índice, 36,6%. Moro vem logo atrás, com 24,8%, enquanto Sandro Alex registra 10,9%.

No caso de Moro, a rejeição subiu um ponto percentual em relação ao levantamento anterior, quando estava em 23,8%.

Isso significa que a liderança nas intenções de voto não elimina um dos principais desafios da campanha: transformar uma vantagem inicial em uma maioria eleitoral capaz de chegar às urnas.

A pesquisa e o que ela realmente mostra

Os números apresentados pelo Paraná Pesquisas colocam Sergio Moro em uma posição confortável neste momento da corrida pelo Palácio Iguaçu: 45% contra 24% de Requião Filho e 17,5% de Sandro Alex.

Mas a mesma pesquisa revela que 51,2% dos eleitores não apontam espontaneamente nenhum candidato.

Ao mesmo tempo, a origem do levantamento e a diferença de preço em relação a pesquisas anteriores do mesmo instituto adicionam elementos que precisam ser considerados quando se analisa a fotografia eleitoral.

Não há, nos dados disponíveis, evidência de que o resultado tenha sido manipulado. Também não há elemento que permita afirmar que o contratante tenha interferido na pesquisa.

Há, porém, uma pergunta legítima que permanece: por que uma pesquisa que coloca Moro com 45% custou R$ 40 mil, enquanto levantamentos anteriores do mesmo instituto, contratados pelo seu próprio partido, custaram cerca de R$ 135 mil?

E há uma segunda: qual é exatamente a relação entre a empresa contratante e o veículo que historicamente publicou manifestações favoráveis ao candidato?

Em uma eleição cada vez mais marcada pela guerra de narrativas, conhecer não apenas o resultado, mas também quem encomendou, quanto pagou e em que contexto a pesquisa foi realizada, é parte essencial da informação que chega ao eleitor.

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